terça-feira, 8 de novembro de 2011

PARÓQUIA DA IGREJA CATEDRAL DE ARACAJU LANÇARÁ O SEU BRASÃO



No próximo dia 19 de novembro, data de aniversário da Dedicação da Igreja Catedral, a Paróquia Nossa Senhora da Conceição estará lançando o seu Brasão. A Celebração Eucarística de Aniversário da Dedicação da Igreja Catedral acontecerá às 16 horas e 30 minutos.

A Catedral de Aracaju foi dedicada em 1947 pelo primeiro Bispo de Aracaju, Dom José Thomás Gomes da Silva, quando depois de uma magna reforma empreitada pelo então Cura, Cônego Carlos Camélio Costa. 

Dom José Thomás Gomes da Silva, primeiro Bispo da Diocese de Aracaju (1911-1948)



BREVE HISTÓRICO DA CATEDRAL METROPOLITANA DE ARACAJU


Com a transferênria da capital, foi criada a Paróquia Nossa Senhora da Conceição, desmembrada da freguesia de Nossa Senhara do Socorro da Continguiba aos 28 de março de 1857, por resolução de nª 457 da autoridade arquipiscopal da Bahia. Deu-se a instalação da paróquia na Igreja de São Salvador, onde funcionou, em regime provisório, até a data da inauguração da Matriz de Nossa Senhora da Conceição,
vinte anos mais tarde.

Com uma solene celebração, lançou-se a pedra fundamental da Matriz de Nossa Senha da Conceição do Aracaju, aos 21 de setembro de 1862. O seu primeiro vigário foi o Cônego Eliziário Muniz Teles, que conseguiu a licença do governo da província para a realização de quatro loterias. O então governador da província, o Exmo. Sr. Joaquim Jacinto de Mendonça, muito se interessou pela obra e a ajudou. Com a sua retirada da presidência da província, as obras da nova matriz foram suspensas. Quando o Barão de Estância assumiu o governo da província, as obras foram reiniciadas, com mudanças no primeiro plano, o que foi um grande bem para a nossa igreja.

Durante a construção da Matriz de Aracaju, houve muitos incidentes, inclusive a morte de um pedreiro. 

Mas, sob a direção do engenheiro Pedro Pereira de Andrade, a obra foi entregue, aos 22 de dezembro de 1875, treze anos após o lançamento da pedra fundamental.


Aos 03 de dezembro de 1887, foi concedida a necessária autorização ao reverendíssimo Cônego José Luiz de Azevedo para benzer a nova Matriz de Nossa Senha da Conceição de Aracaju. O Cônego José Luiz de Azevedo permaneceu à frente da comunidade paraquial até o ano de 1879, quando foi substituído pelo Padre Ponciano dos Santos. O Cônego José Luiz de Azevedo encontra-se sepultado no presbitério da hoje Catedral.


 De 1880 à 1900, a Matriz de Nossa Senha da Conceição teve por pároco
o Revmo. Sr. Pe. Olimpio de Souza Camos, provisionado a 05 de janeiro daquele ano. Neste ínterim recebeu a nomeação de monsenhor e, por motivações políticas (já que ele foi designado Deputado Provincial), foi substituido pelo reverendíssimo Pe. Manoel Raimundo de Melo, posteriormente eleito 1º Bispo de Caetité, no Estado da Bahia.


Nesses vinte anos, a paróquia teve dois sucessivos vigários paroquias: Pe. Ponciano dos Santos e Pe. Job Moreira Magalhães. Além dos pró-párocos Pe. Diego José de Sant´ana e Pe. Virgílio Montalvão. O padre Manoel Raimundo de Melo assumiu  a  paróquia  em  27  de  março  de  1901,

sendo substituido pelo Pe. João Florêncio Cardoso, em 1904, que permaneceu até o ano 1910. 

Em 1910, foi criada a Diocese de Aracaju e a paróquia se tornou Catedral Diocesana, solenemente instalada em 04 de dezembro do ano seguinte com a posse do primeiro bispo, Dom José Thomás Gomes da Silva. Na década de 1940, o Cônego Carlos Camélio Costa, corajosamente, empreendeu uma magna reforma no templo, a fim de dar-lhe ares mais condignos de Igreja Catedral. Foi nesta época que a missão liderada pelo artista italiano Orestes Gatti decorou todo o edifício com pinturas neo-clássicas, bem como deram-lhe aspectos neo-góticos.


Em 1960, foi criada a Província Eclesiástica de Aracaju, sendo Aracaju elevada à Sede Metropolitana, o que transformou a Catedral Diocesana em Catedral Metropolitana de Aracaju.



LISTA DOS PADRES QUE ESTIVERAM À FRENTE DA PARÓQUIA:

1° - CÔNEGO ELIZIÁRIO VIEIRA MUNIZ TELES (03/1857 a 10/1864).

2° - CÔNEGO JOSÉ ALBERTO DE SANT’ANA (11/1864 a 06/1866).

3° - CÔNEGO JOSÉ LUIZ DE AZEVEDO (06/1866 a 07/1879).
4° - PADRE JOÃO PONCIANO DOS SANTOS (07/1879 a 02/1880).
5° - MONSENHOR OLIMPIO DE SOUZA (04/1880 a 12/1900).
6° - PADRE VIRGILIO ROSÁRIO MONTALVÃO (01/1901 a 03/1901).
7° - MONSENHOR MANOEL RAIMUNDO DE MELO (03/1901 a 05/1904).
8° - PADRE JOSÉ FLORÊNCIO DA SILVA CARDOSO ( 06/1904 a 01/1919).
9° - PADRE BASILISCIO RAPOSO DE OLIVEIRA ( 01/1919 a 05/1919).
10° - CÔNEGO SERAPIÃO MACHADO DE AGUIAR MENEZES ( 05/1919 a 01/1927)
11° - CÔNEGO JUGURTA FRANCO ( 02/1927 a 12/1927).
12° - CÔNEGO JOSÉ GEMINIANO DE FREITAS (01/1928 a 02/1935).
13° - MONSENHOR CARLOS CAMÉLIO COSTA ( 02/1935 a 01/1949).
14° - MONSENHOR OLÍVIO TEIXEIRA ( 01/1949 a 03/1957).
15° - MONSENHOR ESPERIDIÃO NILO DE GÓIS ( 03/1957 a 06/1959).
16° - PADRE MIGUEL DESMEDT ( 06/1959 a 10/1959).
17° - MONSENHOR AFONSO DE MEDEIROS CHAVES ( 10/1959 a 08/1961)
18° - CÔNEGO CLAUDIONOR BRITO FONTES ( 08/1961 a 08/1996).
19° - PADRE GILSON GARCIA DE MELO ( 08/1996 a 03/2001 ).
20° - PADRE JERÔNIMO NUNES PEIXOTO ( 03/2001 a 02/2010).
21° - PADRE JOSÉ DÁCIO DOS SANTOS (02/2010 - ....)

BRASÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

Brasão da Paróquia Nossa Senhora da Conceição



DESCRIÇÃO HERÁLDICA

Em um escudo português (ou seja, com a ponta inferior arredonda), repousa em argante um arco gótico cendrée iniciado desde o ponto da ponta e encerrado no ponto chefe. Além deste, acham-se estampados dois semi-arcos do mesmo estilo com o mesmo esmalte: o primeiro, iniciado no cantão direito da ponta, sendo encerrado no cantão direito do chefe; o segundo, do cantão esquerdo da ponta ao cantão esquerdo do chefe. Esses três elementos são sombreados pelo mesmo esmalte e são interligados por um traço duplo cendrée. No umbigo, acham-se emaranhadas, em um campo blau, as letras A e M grafadas em cendrée circundadas por doze estrelas jalde de cinco pontas. Ainda no cantão direito e esquerdo do chefe, delineiam-se, uma de cada lado, duas circunferências blau contendo um caranguejo argênteo contornado de gole. O conjunto pousa sobre uma cruz processional arquiepiscopal de formato ponteteio. Similarmente a um pavilhão, acha-se escrito em língua lusitana e esmalte sable em letra clássicas a circundar todo o brasão: Arquidiocese de Aracaju + Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Curato da Sé +.


INTERPRETAÇÃO DOS ELEMENTOS


No brasão, os arcos representam as três dioceses da Província Eclesiástica de Aracaju, sendo que a do meio designa a Igreja Metropolitana Aracajuense, enquanto que as outras duas, as dioceses sufragâneas de Estância e Propriá. Os arcos góticos porque são os traços arquitetônicos característicos da Sé Catedral de Aracaju, construída em estilo neo-gótico. As iniciais A e M evocam a presença da Imaculada Conceição, padroeira não somente do Arcebispado, como também da Paróquia da Catedral. As doze estrelas delineadas no escudo simbolizam que a Igreja de Aracaju também é alicerçada – tal como a Igreja Universal – no Colégio Apostólico. Todo este conjunto representa ainda o templo da Igreja Catedral, onde habita a venerável e sesquicentenária imagem de Nossa Senhora da Conceição. O azul presente no interior dos arcos traz, na ciência heráldica, a ideia de zelo: a Igreja Universal (e com ela a Particular de Aracaju) é “solícita pelas coisas do Senhor” (1Cor 7, 34). O Cendrée, ou seja, acinzentado, por ser variante do argente, representa a pureza: a Igreja, tal como a Virgem Maria, é imaculada, graças aos méritos de Cristo, seu Esposo. Os caranguejos trazem à memória o brasão da Arquidiocese de Aracaju, em cuja jurisdição, de maneira óbvia, a nossa paróquia se encontra.



A heráldica da Paróquia Nossa Senhora Senhora da Conceição foi criada pelo Seminarista Everson Fontes Fonseca em 02 de maio de 2011.

sábado, 5 de novembro de 2011

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS


(Ano A – 06 de novembro de 2011)



I Leitura: Ap 7, 2-4.9-14
Salmo Responsorial: Sl 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R/. cf. 6)
II Leitura: 1Jo 3, 1-3
Evangelho: Mt 5, 1-12 a (Bem-aventuranças)

Queridos irmãos,

“Cremos na comunhão dos santos!” Esta é uma verdade cuja profissão de fé fazemo-la no Credo. Quem são os santos? De maneira simples, resumimos: os santos são os amigos de Deus. Dizemos amigos para designar um relacionamento de profunda intimidade com o Cristo de tal forma que, de tanta proximidade com Ele, o santo ganha as feições do Senhor, galgando cotidianamente uma vida de perfeição que ruma para o “perder-se” no Divinal Amigo. Ora, mergulhando nesta simplificada denominação, chegamos a pensar que o mundo hodierno carece de santos. Sim, urge o aparecimento de pessoas corajosas que, despojando-se de si mesmas, trilham, asceticamente, para uma vida cada vez mais conformada a de Jesus. A santidade não vem como num toque de mágica, mas acontece cotidianamente, dentro da humanidade do indivíduo que a abraça, através da superação das limitações, a partir das pequenas dificuldades.


Pelo Batismo, todo cristão é santo. Por isso que, no Credo, a Igreja afirma: “Creio na comunhão dos santos”. Comunhão, do latim communio, “união com”, assim, somos (Igreja peregrina) unidos com os santos (Igreja triunfante); os santos pelo Batismo, os quais ainda estão no convívio com as coisas perecíveis do mundo que intercambiam com os santos que já consumaram a sua via e hoje gozam da Perpétua Glória do Coração de Deus; formamos uma única família: a do Corpo Místico de Cristo, embora este esteja inserido em uma dupla dimensão: temporalidade e eternidade.


Dissemos que os santos são amigos de Deus. Se somos santos pela graça batismal, logo, somos invitados a estreitarmos os laços com o Senhor. E como faremos esta proeza? O Evangelho de hoje responde-nos: através do alcance da felicidade. No entanto, não a entendamos como uma pseudo-felicidade, tal como o mundo apregoa com o oferecimento de prazeres, de bens e outras realidades que aumentam – ainda mais – o vazio no coração do homem, mas a entendamos como vida realizada, plenificada em Deus já na angústia dos dias desta vida mortal, enquanto somos “travestidos em homem do nosso século”, como afirmara Jacques Maritain. Jesus, por nove vezes, utiliza a palavra “Bem-aventurados”, “Felizes”. Assim, entendemos o Sermão das Bem-aventuranças como um projeto de realização pessoal e de Deus na vida do fiel. O homem sabe que, somente contando com os seus esforços, nunca conseguirá uma satisfação plena; sabe ainda que Deus não viola a liberdade do ser humano. Destarte, indubitavelmente somos cônscios de que a santidade é proporcionada pela Graça, mas deve haver a contribuição pessoal do cristão que a busca. Por isso, Jesus, a cada bem-aventurança, apresenta uma atitude ativa do fiel e, seguidamente, uma ação receptiva emanada do próprio Deus (“Bem-aventurados... porque...”).


É salutar termos diante dos olhos todo o ambiente físico em que acontece esta prédica do Senhor. Mateus situa Jesus em um monte. Subir, na Sagrada Escritura designa aproximar-se do próprio Deus. Percebamos, caríssimos, que as grandes manifestações de Deus acontecem em elevações geológicas. Percebamos que Jesus não vai para lá sozinho, os discípulos se aproximam, afastam-se da baixeza da terra. Assim, sabemos que o Mestre quer atrair os seus para o Pai, de quem procede a santidade (Ele que, no superlativo, é o Santo dos Santos). O termo “santo”, que em hebraico é traduzido como kadosh, significa separado, apartado da transitoriedade. Quem, por essência, tem este caráter senão Deus? Através de Jesus, da sua encarnação como homem, obtemos, pelo Batismo, este afastamento, tornamo-nos “concidadãos do céu” (cf. Ef 2, 19).




Jesus, no monte, senta. Sentar-se, na linguagem litúrgica e até mesmo pedagógica é típico de quem ensina, é comum ao Mestre. A ação de instruir é de direito a quem tem autoridade sobre o aprendizando (discípulo) e sobre o que é ensinado. Jesus senta-se para falar da santidade de Deus e dos homens porque, como Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus, é santo. Jesus, sentado no monte, fala aos seus discípulos. Aos discípulos e não às multidões. Embora o chamado à santidade seja uma vocação universal, Jesus é consciente de que poucos – apenas os sensíveis à Boa Nova do Reino – são capazes de absorvê-la, pois a dinâmica das Bem-aventuranças soa aos ouvidos do mundo como irracionalidade. São João Crisóstomo afirma: “Nisto de pregar sobre um monte e na solidão, e não na cidade nem no fórum, nos ensinou a não fazer nada por ostentação e a separar-nos do tumulto, principalmente quando convém dialogar sobre coisas importantes” (Homiliae in Matthaeum, hom. 15,1). Pelo dito de João Crisóstomo, intuímos que a santidade não é uma realidade de vida que causa estardalhaços, mas que se prima em uma silenciosa violência contra os nossos quereres, principalmente quando não estão de acordo com a vontade divina, pois “o Reino dos Céus é para os violentos” (Mt 11, 12), o que é incompreensível e frustrante para o mundo.


Falávamos que a santidade é uma via de perfeição, um caminho para configurar-se a Cristo Deus. E que via é esta? Ela acontece, como dissemos, no cotidiano, através de pequenas atitudes silenciosas e profundas: pobreza em espírito; fortaleza nas aflições; mansidão; anseio e promoção da justiça; coração humilde e misericordioso; pureza de vida e costumes; pacificidade; enfim, alegria diante dos sofrimentos, injúrias, calúnias causadas pelas perseguições infligidas aos que seguem o Cristo.


O caminho para ser bem-aventurado (santo) não é fácil. E, sabendo das nossas condições, o próprio Deus nos cumula com suas recompensas à medida que lhe oferecemos a nossa disponibilidade para o projeto de santidade. Prova disto, temos as nove recompensas trazidas pelas Bem-Aventuranças. Ao escalarmos as escarpadas montanhas de uma vida pautada pela santidade, restar-nos-á a magna recompensa: o céu. Se formos perseverantes nesta boa ventura, diremos tal como São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé”. (2Tm 4,7), pois como nos assevera a Oração sobre as oferendas deste domingo: alcançaremos a imortalidade pela salvação.


São João, na sua celeste visão, enche-nos da certeza de que os santos contemplam e adoram Deus face a face. No fim dos tempos, os que foram marcados na fronte com a insígnia do Cordeiro serão levados para o festim do céu. O autor sagrado oferece o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos de Israel. Este número é prenhe de significado, pois é o quadrado de doze (algarismo que designa o sagrado na numerologia bíblica) multiplicado por mil. Logo após oferecer-nos esta quantia, São João traduz qual o desígnio do número doze vezes doze vezes mil: “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos e línguas, e que ninguém podia contar” (Ap 7, 9). Primeiramente, João diz que os cento e quarenta e quatro mil eram da casa de Israel; depois, que é de todos os recantos do mundo. O que ele realmente quer afirmar é que esta multidão pertence à Igreja, a Nova Israel, que congrega em si os filhos de Deus, a legião dos santos espalhada por todo o orbe. Estes eleitos estavam revestidos na veste da pureza, empunhavam a palma da vitória sobre o poder da morte, a palma do martírio, e estavam de pé contemplando algo que nunca ninguém era capaz de ver: o próprio Deus.



Esses felizardos não estavam sós, compartilham os céus e a visão do Cordeiro com os anjos, ao tempo em que, com eles, misturavam as vozes em louvor, tal como fazemos na Eucaristia quando invocamos a santidade de Deus (Sanctus, Sanctus, Sanctus...), nosso louvor mistura-se ao dos entoados pela corte celeste. Meus caros, esses felizardos seremos nós se formos perseverantes. Imaginemos, quando chegarmos ao céu e perguntarem a nosso respeito: “De onde vieram esses?” E quando disserem de nós: “Esses vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro” (v. 14). Em outras palavras, dirão: “Esses souberam sofrer com valentia as agruras da vida, guardaram a fé; não sujaram as mãos e coração nas obras do mal, por este motivo merecem entrar e estabelecer morada no coração de Deus (cf. Sl 23, 4).


Se já nos é um grande presente de amor a adoção divina,como nos diz São João na Segunda leitura,  esta adoção que nos faz filhos de Deus, o que poderíamos dizer acerca da manifestação de Deus em nós, já nesta vida, quando o transparecemos, até o momento da manifestação perenal, quando seremos um nele?





Que sigamos os conselhos de Paulo: "A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz". (Rm 13,12). Que nos travistamos de Cristo, com as vestes da santidade e tudo o que, em si, ela embute. Que o exemplo daqueles que já gozam da feliz eternidade nos inspire a força e a coragem no rompimento do pecado, a fim de que, auxiliados por sua intercessão, cheguemos à nossa meta: o Céu, a Vida em Deus, onde nos “perderemos de amor Nele”. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PRÁTICAS ANTROPOFÁGICAS: ATÉ QUE PONTO CHEGAMOS?


Meu Deus, até que ponto a ciência e a humanidade chegaram?! ANTROPOFAGIA!!!!!!!! Um prática repudiável desde há muito nos costumes civilizados da humanidade.

Pois é, em pleno século XXI, cientistas e empresários, descartando o valor da vida e do bom senso, resolveram utilizar fetos humanos na confecção dos seus produtos.

Quando acabar, alguns tontos (inclusive dirigentes de países e formadores de opinião) têm a coragem de afirmar que o aborto não fere a dignidade do ser pessoa e, tampouco, é uma indústria.

Vejam, o que saiu no ACI esta semana:


ATLANTA, 28 Out. 11 (ACI/EWTN Noticias) .- A denúncia de um grupo pró-vida de que a empresa internacional de refrigerantes PepsiCo estaria usando linhas celulares de fetos humanos abortados para a investigação e o melhoramento de seus produtos, fez que um de seus acionistas apresentasse uma resolução para que esta companhia internacional suprima esta prática.




Em agosto de 2010 PepsiCo assinou um acordo de quatro anos com a companhia Senomyx para desenvolver adoçantes potencializados para suas bebidas. Por este trabalho PepsiCo paga 30 milhões de dólares pela investigação e futuras regalias de seus produtos que no futuro sejam manufaturados com esta tecnologia.




Muitas das patentes de Senomyx envolvem a linha celular de fetos abortados com o código HEK-293, originada a partir de células dos rins.


O aborto provocado é a eliminação ou assassinato de um ser humano dentro do ventre da mãe. A doutrina católica e a lei natural coincidem em que nunca é justificado, pois ninguém tem direito a decidir sobre a vida de outra pessoa, menos ainda a dos mais fracos e inocentes, como os não nascidos.


O grupo pró-vida da Flórida, Children of God for Life, escreveu às duas empresas em protesto por estas investigações. Senomyx não respondeu, mas PepsiCo sim o fez, assinalando que as investigações dariam como resultado produtos "de grande sabor e com menos calorias".


Frente a esta situação, um acionista apresentou uma resolução ante a junta de diretores da PepsiCo para adotar uma política que "reconheça os direitos humanos e utilize padrões éticos que não envolvam usar restos de seres humanos abortados em investigações privadas e compartilhadas assim como em acordos de desenvolvimento".


Debi Vinnedge, diretor executivo do Children of God for Life, assinalou que cada acionista tem "o direito, ou seja, a verdade sobre o que PepsiCo está fazendo com suas economias duramente obtidas".


"A falta de respeito da PepsiCo à sensibilidade moral pública solo serviu para avivar o fogo e as ameaças ao valor das ações, as pensões de aposentadoria e os investimentos", acrescentou.


Também disse que "não há nada ético ou apropriado na maneira em que estão explorando os restos de crianças inocentes abortadas".


Children of God for Life respondeu a esta situação convocando um boicote para deixar de adquirir os produtos da PepsiCo.



HazteOir.org, uma plataforma cidadã pró-vida e pró-família na Espanha, ecoou esta convocação e informou que o boicote se estende dos Estados Unidos à península ibérica, Austrália, Alemanha, Irlanda, Escócia, Polônia e Reino Unido.

domingo, 30 de outubro de 2011

COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS



“A RESIGNAÇÃO DOS QUE FICAM É A CERTEZA DE QUE OS BONS ESTÃO NA CASA DE DEUS”




Queridos irmãos,


Acredito que foi no ano de 2003 (muito embora a data pouco importe de fato), ao fazer um trabalho escolar no Cemitério Senhor do Bonfim, na cidade de Lagarto, encontrei um belíssimo mausoléu revestido de um granito tirado a cor rubi, encimado com uma belíssima escultura da La Pietà e uma inscrição em uma placa de bronze: “A resignação dos que ficam é a certeza de que os bons estão na Casa de Deus”. Esta ficou gravada em minha mente e, por ocasião da morte de algum ente querido, sempre me serve de consolo. Ora, a frase da qual estamos falando é uma sintetização bem feita da esperança cristã acerca da morte.


O dia de hoje insere-se dentro da realidade da Solenidade de Todos os Santos. Santos são todos aqueles que viveram de tal forma unidos a Deus que, no ocaso de sua vida, alcançaram o prêmio eterno, a coroa imarcescível da glória. Por isso, a Igreja nomina a comemoração de hoje como dos fiéis defuntos, já que obtendo este adjetivo, hoje, merecem gozar de uma eternidade feliz e a celebra um dia após o 1º de novembro.


Ao celebrarmos a Comemoração dos Fiéis Defuntos, cuja fama é conhecida como Dia de Finados, os cristãos são convidados a um tríplice movimento de fé. O primeiro se pontua na realidade da vitória de Cristo sobre o Pecado e a Morte. Esta primordial certeza nos abastece de esperança, pois, “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé [...] E se Cristo não ressuscitou, é inútil a vossa fé, e ainda estais em vossos pecados” (1Cor 15,14.17). Logo, podemos perceber que esta memória litúrgica possui um laço bastante forte com a Páscoa. A partir desta afirmativa, adentramos no segundo movimento: A Páscoa (passagem) dos que já nos precederam. Cronologicamente, tantos nos antecederam na viagem rumo à Pátria dos Bem-Aventurados, o Céu. Neste sentido, a partir da redenção operada por Cristo Jesus, a morte (cuja visão era a de castigo por conta do pecado) ganha um sentido novo: a de ingresso na Vida Eterna. Santa Teresa de Lisieux, no leito de sua morte, afirma: “Eu não morro, entro na vida”. Esta verdade deve servir-nos de consolo se nos lamentamos com a perda trazida pela morte. No terceiro movimento da fé cristã, estamos nós. Nesta dimensão, somos convidados a lembrar-nos de que o nosso dia também chegará; será a nossa páscoa, nosso encontro com o Senhor. Este ingresso, esta passagem (Páscoa), em Cristo, não é mais amparada pelo pecado, mas pelo poder de sua Cruz: “Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,8). Destarte, a morte para o fiel cristão é a consumação da nossa pertença a Cristo, pois obteremos a visão beatífica: “Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é” (1Jo 3,2).


Sim somos convidados, no dia de finados, a pensar na nossa realidade mortal. Ontem, eles se foram; hoje, pode ser nós. Hoje, eles recebem a nossa oração e reverência; amanhã seremos nós quem as receberá. Mas, no dia do chamado do Senhor para a ‘verdadeira vida’, o que lhe apresentaremos? Este pensamento nos deve sempre invadir. Construímos com a nossa existência, com as obras cristãs unidas à fé no Senhor da Vida (cf. Tg 2, 20), a nossa trilha para a Bem-Aventurança.  Se tivermos feito por onde obtermos a Vida de Deus e a Vida Nele, adentraremos na Jerusalém Celeste, onde “Nem olho algum viu, nem ouvido algum ouviu, nem jamais passou pela cabeça do homem o que Deus preparou para os que o amam” (1Cor 2,9). Mas, por que tememos a morte? Vem-me à mente: “Onde está o teu coração aí está o teu tesouro” (Mt 6, 21), e ainda, “Somos concidadãos dos santos” (Ef  2, 9). Portanto, se estamos com os nossos pés nesta terra, mas com os olhos direcionados para o alto, não temeremos a morte, porque estaremos cônscios de que a meta desta vida não está nas realidades terrenas, mas que estas devem servir-me de meio para alcançar a meta real: a vida de Deus e a vida Nele. O Céu é o tesouro do fiel cristão, porque lá está Deus.


Em meio à explosão de tantas teorias espíritas, parece que a doutrina cristã está sendo olvidada. Nós, cristãos, não cremos na reencarnação! Nossa passagem por esta terra é única, irrepetível. A purificação de nossa alma já se deu de uma vez por todas na cruz do Senhor, e se dá cotidianamente na páscoa sacramental por meio da Confissão e da Eucaristia. Obviamente a vivência cristã deva ser regada pela caridade exteriorizada por uma vida retamente virtuosa. O Cristianismo crê na ressurreição! “Ora, se se prega que Jesus ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns de vós que não há ressurreição de mortos?” (1Cor 15,12). Cristo ressuscitou, e nós ressuscitaremos com Ele! Esta é uma afirmação da Igreja, e excomungado está quem não professa este dado de fé! Dentre as provas dadas pelos Apóstolos à Igreja de Cristo, apresentamos todo capítulo quinze da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.


Ao refletirmos sobre a morte (cuja tratação na Teologia cabe à Escatologia), também somos chamados a ponderar acerca dos Novíssimos ou dos últimos fins do homem. A Sagrada Teologia, logicamente apoiada nas Sagradas Escrituras, afirma que os destinos do homem são basicamente dois: Paraíso e Inferno. Assim sendo, conforme reza o Catecismo da Igreja Católica, após o juízo particular de cada um, a pessoa, no estado de alma imortal, recebe uma retribuição imediata em relação à sua fé e às suas obras. Essa retribuição consiste no acesso à Glória Eterna, imediatamente ou depois de uma adequada purificação, ou no ingresso à condenação eterna (cf. Catecismo da Igreja Católica 1021-1022; 1051). Por céu, a Santa Igreja Católica entende “o estado de felicidade suprema e definitiva. Os que morrem na graça de Deus e não têm necessidade de ulterior purificação são reunidos em torno de Jesus e de Maria, dos anjos e dos santos. [...] Vivem em comunhão de amor com a Santíssima Trindade e intercedem por nós (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 209). Por purgatório[1], a “Mãe Católica” prega que este estado de espírito é concedido aos que morrem reconciliados com Deus, mas que precisam de purificação para poder entrar no céu. Logo, quem, de imediato após a morte, é enviado para cumprir as suas penas no purgatório, tem a garantia do céu, pois é um estágio momentâneo, muito embora na eternidade não possua o caráter da temporalidade. Às almas que estão no purgatório, podemos ajudá-las com as nossas orações de sufrágio, em especial com a Santa Missa, como também através das esmolas, indulgências e obras penitenciais. E o que a Igreja diz acerca do inferno? No Compêndio do Catecismo da Igreja Católica encontramos a resposta: o inferno “consiste na condenação eterna dos que, por livre escolha, morrem no pecado mortal. A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus, em quem unicamente o homem tem a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira” (n. 212). “Dos que morrem no pecado mortal...”, daí a extrema importância de tentar viver de maneira ilibada os valores cristãos, principalmente em um mundo tão adverso e hostil à moral trazida pelo Cristo. O pecado mortal é uma excomunhão, uma recusa espontânea por parte do homem do amor misericordioso de Deus.


Nós, os vivos, sentimos quando da morte das pessoas a quem amamos. Chegamos até a chorar. Isso é normal, pois trata-se de uma separação (ainda que momentânea). Ao cristão não é cabível o desespero. Isso é inadmissível! Pois, em Cristo, todos encontrar-nos-emos: este é o nosso alento. Nós, Igreja Peregrina neste mundo, rumamos para o lugar onde não haverá mais dores e pranto, onde habitaremos no coração de Deus, tal como os que nos precederam pela porta da morte e já gozam da feliz eternidade do convívio com Ele e n’Ele. Unir-nos-emos aos que já se rejubilam na Igreja triunfante da comunhão dos santos. Por tal motivo, concluímos que a morte é sinal de esperança para todos.


Que esta expectativa de encontro definitivo com o Senhor e com aqueles que já nos precederam no gozo celeste preencha o nosso coração, a fim de estarmos preparados com dignidade para este divino momento, onde tomaremos posse dos bens eternos reservados por Jesus para nós, onde seremos recapitulados em Cristo (cf. Ef 1, 10), onde Deus será “tudo em todos” (1Cor 15, 28).


[1] As provas bíblicas da existência do purgatório, encontramos em Mt 12, 32; 1Cor 3, 15; 1Pd 1, 7; 2Mc 12, 46; Jó 1, 15.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM



(Ano A – 30 de outubro de 2011)


I Leitura: Ml 1, 14b – 2b, 2.8-10
Salmo Responsorial: Sl 130 (131), 1.2.3. (R/. Guardai-me, em paz, junto a vós, ó Senhor!)
II Leitura: 1Ts 2, 7b-9.13
Evangelho: Mt 23, 1-12 (O maior é o que serve)


Queridos irmãos,

Excepcionalmente, por motivos maiores, não tivemos condições de publicar neste domingo a nossa reflexão acerca da Liturgia da Palavra. Porém, trazemos para vós, estimados leitores, esta frutuosa meditação do Dom Emanuele Bargelini. Fazemos votos de um santo e profícuo domingo e, com fé no Senhor do tempo e da eternidade, Jesus Cristo, Nosso Senhor, estaremos juntos ainda nesta semana.

Seminarista Everson Fontes Fonseca                                      





Dom Emanuele Bargellini[1]

“Se eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13,14-15). O próprio Jesus se torna sempre a realização encarnada da Palavra que nos entrega. Seu exemplo precede seu ensino, e deste constitui a força interior que lhe dá autoridade e eficácia. 


Movido pelo impulso do Espírito e inspirado pelo exemplo de Jesus, Paulo afirma que seu ministério apostólico no meio da comunidade dos tessalonicenses foi exatamente a atuação do exemplo e do mandamento de Mestre: “foi com muita ternura que nos apresentamos a vós, como umamãe que acalenta seus filhinhos. Tanto bem vos queríamos, que desejávamos dar-vos não somente o evangelho de Deus, mas até a própria vida” (1 Ts 2,7b-8). E acrescenta pouco depois “Bem sabeis que exortamos a cada um de vós, como um pai aos filhos” (1 Ts 2, 11).

Não é fácil encontrar hoje em homilias de padres e em cartas pastorais de bispos uma linguagem tão apaixonada e humana, capaz de expressar aquela autêntica experiência da paternidade e da maternidade espiritual na qual a Igreja, através do serviço e da dedicação generosa dos seus ministros, nos gera à vida de Deus na fé, e se torna nossa “mãe”. Quantas vezes estamos proclamando na linguagem eclesiástica corrente do dia-a-dia que a Igreja é nossa mãe!

Quanto da paixão e da ternura da mãe e do empenho generoso e sábio do pai - que o apóstolo reivindica como características do seu serviço ao evangelho para os tessalonicenses - moldam de verdade nossas atitudes pastorais, e alimentam nossa pregação e catequese, enquanto somos chamados a não somente “escutar”, mas “encontrar” a boa nova libertadora de Jesus, que transforma e dá vida?

As duras palavras de Jesus na polêmica contra os fariseus colocam em luz a contradição radical entre palavras e comportamentos, sobretudo nas pessoas que, na comunidade, têm a missão e a tarefa de abrir o caminho aos irmãos e irmãs para encontrar a Deus, o Pai fonte de toda paternidade (cf. Ef 3,15), que cuida, educa e acompanha com ternura de mãe seus filhos amados, até que se tornem adultos (cf. Os 11, 1-4).


Os fariseus e os mestres da lei proporcionam um ensino autorizado do qual é preciso ter conta, enquanto guarda em si a Palavra viva que vem de Deus e que transcende a postura pessoal deles. Seu estilo de vida deveria ser o espelho da mesma palavra e dar a ela credibilidade. Ao invés se torna um tropeço que atrapalha a vida do povo. Distinguir as situações ambíguas, com sabedoria e discernimento crítico no Espírito, como convém a pessoas maduras na fé, e pegar a distância das falsas aparências, para seguir o único verdadeiro Senhor, Pai e Mestre: eis a vocação e o desafio para os verdadeiros discípulos em todo tempo.

“Por isso deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam” (Mt 23, 3). Evidenciando uma série de contradições, Jesus destaca dois pecados fundamentais, que constituem o núcleo venenoso da alma, a hipocrisia, isto é, a manipulação da verdade para consigo mesmo, diante de Deus e na relação com os demais.

O primeiro pecado é a tentativa de esconder-se atrás de um aparente zelo religioso, identificado com a rígida observância da Lei, por eles aludida, mas carregada sobre os ombros do povo, observância desprovida de todo amor e autenticidade (Mt 23, 4). O segundo pecado é a procura em chamar a atenção do povo para si mesmo, colocando-se no lugar próprio de Deus, ao ostentar formas e palavras, capazes de capturar os simples, em vez de guiá-los ao Senhor da vida (Mt 23, 5-7).

Jesus se coloca na linha do profeta Malachias, que denuncia a perversão da própria missão por parte dos sacerdotes. Eles deveriam ser de ajuda e servir de guias para viver com fidelidade a aliança; ao contrário: se tornaram “pedra de tropeço” para os pobres (1ª Leitura, Ml 2, 8).

Os pequeninos são os privilegiados do Pai! Por isso a ameaça de Jesus se faz ainda maior daquela já severa que encontramos aqui. “Caso alguém escandalize um destes pequeninos que crêem em mim, melhor seria que lhe pendurassem ao pescoço uma pesada mó e fosse precipitado nas profundezas do mar!” (Mt 18,6).

O tropeço e o escândalo dos pequeninos não passam somente através dos comportamentos abertamente em contradição com o evangelho e o ensino da Igreja. Quando isso acontece, é mais fácil reconhecer o desvio e se defender. Hoje em dia atuam também duas formas, dentre outras, de possíveis desvios do caminho próprio do discípulo de Jesus.

Todo mundo é alertado contra certa mentalidade secular que descuida de Deus e da dimensão espiritual da existência humana, para seguir um relativismo individualista e limitado ao nível do bem estar material.


Outro perigo mais sutil é a exploração do sentimento religioso espontâneo e simples das pessoas, dobrando-o para formas pobres de conteúdo, fortemente ligadas às emoções, sem o cuidado paterno e materno de Paulo, para educar este mesmo sentimento religioso, e acompanhar os fieis a gozar das riquezas espirituais que a Igreja proporciona para todo o povo na Palavra de Deus, na Liturgia, na formação mais consciente e adulta da própria fé.

Ao pegar nas mãos certas publicações que se dizem de caráter piedoso, e ao olhar certos programas de TV (não somente evangélicos!), que pretenderiam alimentar a fé do povo de Deus, vêm naturalmente à mente as severas palavras de Jesus no evangelho de hoje! Muitas vezes são propostas na realidade formas quase mágicas de piedade, embora os altares apareçam bem arrumados, segundo as exigências das rubricas litúrgicas!

Para onde foi o luminoso empenho da Igreja assumido através do Concílio Vaticano II, orientado a reconduzir a fé e a piedade do povo de Deus às suas divinas raízes da Palavra de Deus e do mistério pascal de Cristo na liturgia, renovando as bases da catequese, para que se tornasse mais idônea a iluminar a mente e a esquentar o coração das pessoas com a caridade de Cristo?

Para onde foi o caminho de comunhão entre todos os membros do povo de Deus, peregrino na esperança rumo à vinda gloriosa do Senhor, que sustenta seu caminho, o ilumina, o faz solidário com todos os homens e mulheres do nosso tempo, e o abre à esperança?

Esta foi a grande estrela polar da eclesiologia promovida pelo Concílio Vaticano II, retomando a mais antiga e original tradição da Igreja.

A Igreja está se preparando a celebrar no ano 2013 os cinqüenta anos da abertura do Concílio ecumênico Vaticano II (1963- 2013). Este aniversário deveria constituir uma oportunidade para todos redescobrirem as grandes Constituições do Concílio (os principais documentos doutrinais e pastorais), e assumir com renovado empenho o caminho de renovação e de autenticidade da vida cristã que o Espírito Santo abriu para a Igreja.

Em qual terreno está caindo, dentro das nossas comunidades, a fecunda semente de vida lançada pelo papa Bento XVI, com a Exortação apostólica “Verbum Domini - A Palavra do Senhor” (2008), que, num gesto de profunda comunhão com os bispos da Igreja católica, assumiu as sugestões do Sínodo dos bispos, para colocar novamente no centro do coração da Igreja e da vida de todos os fieis a Palavra de Deus, que é o próprio Jesus, Palavra-Verbo do Pai?

Este é o caminho para, no nosso tempo, cultivar e promover uma fé e uma piedade autênticas, capazes de enfrentar os desafios da secularização e do falso “pietismo” de certas propostas religiosas, que podem nascer da boa vontade, mas que não conseguem fundamentar bastante as pessoas diante dos novos desafios.

O Encontro de Reflexão, Diálogo e Oração, promovido pelo papa em Assis no dia 27 de outubro, 25º aniversário do primeiro encontro organizado pelo Bem Aventurado papa João Paulo II (1986), tem como horizonte espiritual o lema “Peregrinos da verdade, peregrinos da paz”. O espírito com que o papa tem promovido este evento e o lema que o identifica destacam bem a exigência de crescer na autenticidade da relação com o mistério de Deus que nos habita e nos transcende, e na relação para com todos os membros da família humana, qualquer que seja a forma religiosa ou cultural, para expressar e honrar este mistério divino. Este encontro do dia 27 é preciso que de algum modo faça parte da celebração da eucaristia deste domingo, como palavra atualizadora do evangelho e da páscoa de Jesus.

Os estudiosos do Novo Testamento nos advertem que o tom altamente polêmico do trecho do evangelho de Mateus proclamado na liturgia deste domingo, se de um lado parece exagerar na leitura negativa do movimento dos fariseus, assim como se exprimia no tempo de Jesus, de outro lado, provavelmente, tende a marcar o perigo da hipocrisia e da modalidade errônea de se exercer a autoridade dentro da própria comunidade cristã no tempo do evangelista.

Tais riscos, seria esta a mensagem do evangelista, não se encontram somente no povo dos judeus, mas também na comunidade dos discípulos de Jesus, na nossa comunidade, em qualquer tempo e lugar.

Para os discípulos, Jesus indica outros critérios de relações recíprocas, e outro modelo para exercitar em maneira autêntica a autoridade: “Quanto a vós, nunca....” (Mt 23,8-12).

Diante da perspectiva da paixão, passagem escolhida pelo Pai para realizar a missão de Jesus como Messias e Salvador, os discípulos não conseguem entender o mistério de Jesus. E, sobretudo, não conseguem entender o que isto deveria significar para eles mesmos, enquanto seus “discípulos”. Continuam brigando entre si, sobre quem deveria ocupar os primeiros postos de poder entre eles.

Jesus revira as perspectivas: “Sabeis que os governadores das nações as dominam... Entre vós não deverá ser assim. Ao contrário, aquele que quiser tornar-se grande entre vós seja aquele que serve, e o que quiser ser primeiro dentre vós, seja o vosso servo. Desse modo o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate por muitos” (Mt 20, 25-28).

Eis fundada a razão porque ninguém, entre os discípulos, pode pretender o “título” de mestre, de pai, de guia. Estas funções pertencem ao Pai e a seu Filho Jesus, que atua no Espírito Santo (Mt 23, 8-10). 

Cristo, que se esvazia de todo poder e de aparência de glória, que lhe pertencem enquanto Verbo do Pai, e assume a fragilidade do escravo, morrendo na cruz, suprema manifestação do seu amor e da sua glória, permanece a fonte e o modelo de toda comunidade cristã, nas relações entre seus membros e no exercício da autoridade (cf Fl 2, 6-11).

Que sentido tem na Igreja as pessoas que exercitam os ministérios de ensinar, de suscitar a fé e de guiar e acompanhar o caminho de fé do povo de Deus?

Como diz a própria palavra “ministério”, elas são chamadas pelo Senhor a exercitarem um “serviço”, finalizado a promover a relação vital de cada um com o Pai, com o Mestre interior que é o Espírito, e com o Cristo, que é o verdadeiro caminho para o Pai. Nisto consiste toda a dignidade e a responsabilidade destes “ministros”. A partir da autenticidade desta delicada mediação, cada um precisa julgar seu próprio ministério na luz do Senhor, para verificar com humildade e sinceridade, se está de verdade servindo ao Senhor no seu povo, ou se por acaso não se está tornado pedra de tropeço para o mesmo.

Até a capacidade de servir o Senhor e o povo, como se convém, é graça. É a graça que a Igreja pede hoje, mais consciente do que nunca das próprias fragilidades: “Ó Deus de poder e misericórdia, que concedeis a vossos filhos e filhas a graça de vos servir como devem, fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas”.




[1]  É monge beneditino camaldolense. Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneu Santo Anselmo (Roma).

sábado, 22 de outubro de 2011

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XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM


(Ano A – 23 de outubro de 2011)



I Leitura: Ex 22, 20-26
Salmo Responsorial: Sl 17 (18), 2-3 a. 3bc-4. 47 e 51 ab (R/. 2)
II Leitura: 1Ts 1, 5c-10
Evangelho: Mt 22, 34-40 (O maior mandamento)


Queridos irmãos,


Qual a medida do amor? Esta pergunta pode ser o norte de nossa reflexão para este domingo. Vivemos em um mundo onde, com facilidade, ouvimos falar sobre este sentimento. Na verdade, observando, em geral, os locais em que o termo amor é utilizado (principalmente nos meios de comunicação e cultura, como a música, por exemplo), verificamos uma tendência a banalizar este nobre sentimento tão querido por Deus. Utilizamos o termo banalizar já que, não raras vezes, ao amor é dada uma conotação de um reles erotismo.


São João, em uma de suas cartas, nos afirma qual é a essência de Deus: Ele é amor! (cf. 1Jo 4, 8.16). O ato de amar a Deus já estava presente na profissão de fé do israelita, o Shemá: “Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6, 4-5). Porém, a atitude de amar a Deus não se rege pela estaticidade, deve ir mais adiante, deve englobar a vida do meu irmão com os mais nobres sentimentos. Neste intuito, Jesus, no Evangelho de hoje, une à profissão do Shemá um preceito que estava como que esquecido pelos judeus, ou pelo menos por aquele interlocutor: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19, 18). Jesus os unifica fazendo deles um só preceito. É como se o Mestre dissesse ineditamente que, por ter sido “Deus o primeiro a nos amar, agora o amor já não é apenas um ‘mandamento’, mas a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro” (BENTO XVI, Deus Caritas Est, 1).




Jesus está em Jerusalém, prestes a ser preso e crucificado. E como temos acompanhado nos últimos dois domingos, vemos Jesus sendo embatido pelos saduceus, anciãos do povo, herodianos e fariseus. Jesus os incomoda e, consequentemente, eles estão atrás de um motivo para pegá-lo em algo que dissesse. Embasbaca-nos a forma estranha com que os fariseus querem deflagrar o Senhor: fazendo uma pergunta acerca da Lei. Ora, aos fariseus, grupo caracterizado pela sua ortodoxia extremada, fazer uma pergunta acerca da Lei era algo bastante suspeito. São Mateus, nesta passagem, contrariamente a de domingo passado, não entra no mérito se Jesus percebeu ou não a pergunta suspeita daquele homem que, já de início, o chama “Mestre”. Aludimos que Jesus, espertamente, se dá conta da maldade intencional daquele fariseu, no entanto deseja fazer daquela pergunta uma espécie de catequese acerca do amor a Deus e ao próximo. Meditando sobre a atitude do fariseu e fazendo uma ponte para nós, São João Crisóstomo afirma-nos: “Perguntava-lhe sobre o grande mandato quem não cumpria sequer o pequeno. Deve perguntar acerca do progresso da santidade, aquele que já vem observando algo que possa conduzir a ela” (Opus imperfectum in Matthaeum, hom. 42). Muitas vezes caímos neste risco, em nome de um pseud-amor aDeus, excluímos a caridade para com o nosso irmão. Caridade não é apenas servir o outro com a nossa materialidade, mas é ver nele aquilo que de fato ele é: “imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn 1,26. 27; 5, 1); meu irmão.


É interessante a resposta de Jesus. Ele utiliza o verbo “amar” no futuro do indicativo. Isto acontece para esclarecer, a partir daquele fariseu, que a nossa relação para com Deus não deve basear-se no temer, mas no mais puro sentimento do coração do homem, o qual engloba em torno de si os mais nobres sentimentos produzidos no interior da criatura racional. Destarte, tiramos a conclusão de que Jesus sabia muito bem que o sentimento o qual os fariseus nutriam por Deus não era o do amor, mas partia desde o temor até o extremo da subserviência de Deus aos seus caprichos, tal como nos revela a oração do fariseu e do publicano: “Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros” (Lc 18, 10-12).


Relacionada à primeira parte do mandamento do Senhor (Amor a Deus versus outros sentimentos para com Ele) – “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Mt 22, 37), São João Crisóstomo ainda nos diz: “Amarás, disse, e não temerás, porque amar é mais que temer; o temor é próprio dos servos, e amar é próprio dos filhos. O temor procede da necessidade, o amor, da liberdade; o que serve a Deus por temor, evita o castigo; é verdade, no entanto não tem a graça da santidade, já que o faz como que uma obrigação, pratica o bem por medo. Não quer o Senhor que o temam os homens de um modo servil, e como a um senhor, e sim que o ame como a um pai, já que concedeu aos homens o Espírito de adoção. Amar a Deus de todo o coração é tanto como não ter o coração inclinado para alguma coisa, e sim ao amor de Deus. Amar a Deus com toda a alma é tanto como ter um conhecimento certíssimo da verdade e estar firme na fé; portanto, uma coisa é o amor do coração e outra o amor da alma. O amor do coração é carnal em um certo sentido; em tal conceito amamos a Deus de uma maneira carnal, o que não podemos fazer sem nos abster do amor das coisas terrenas; portanto, o amor do coração se sente no coração. Porém, o amor da alma não se sente, mas se compreende, porque consiste no juízo da alma. O que crê que todo bem está em Deus, e que nada bom está fora dele, este o ama com toda a sua alma. Amar a Deus com toda a mente é tanto consagrar-lhe todos os sentidos, e aquele cujo entendimento serve a Deus, e cuja sabedoria se fixa em Deus, e cuja inteligência se ocupa das coisas de Deus, cuja memória recorda o bom, pode dizer-se que ama a Deus com toda a mente” (Opus imperfectum in Matthaeum, hom. 42).




“Amarás o próximo com a ti mesmo” (Mt 22, 39). Para uma maior consciência, somos tentados a perguntar como fizera em uma dada ocasião um doutor da Lei: “E quem é o meu próximo?” (Lc 10, 29). Vem-nos auxiliar nesta nossa resposta o Bispo de Hipona, Santo Agostinho: “Deve ter-se em conta que se há de considerar como próximo a todo homem e que, portanto, com nada se deve obrar mal. Se a chama propriamente nosso próximo aquele a quem se deve dispensar ou de quem devemos receber ofícios de caridade, se demonstra por meio deste preceito de que modo temos obrigação de amar ao próximo, e ainda compreendendo também aos santos anjos, de quem recebemos tantos ofícios de caridade, como podemos ver facilmente nas Escrituras. Assim, o mesmo Deus quis chamar-se nosso próximo, quando Nosso Senhor Jesus Cristo se nos apresenta como aquele aleijado que se encontrava meio morto e tombado no caminho” (De Doctrina Christiana 1,30). Jesus é o nosso próximo por execelência. Devemos vê-lo nos irmãos; devemos ver o irmão em Jesus (cf. Mt 25, 34-40).


É ainda neste sentido que, na Primeira Leitura, o Senhor dá ao seu povo no deserto, dentro de todo o contexto do código da Lei mosaica, as instruções acerca do amor ao próximo, principalmente aos desfavorecidos e sofredores: estrangeiros, viúvas, órfãos, pobres, desnudos... Perguntamo-nos: “Quem é o nosso próximo?!” É todo aquele que é imagem e semelhança de Deus, mas de uma forma toda especial o que assim o é na pobreza, na exclusão, na opressão. Deus ama a todos; a estes o carinho é dirigido de uma forma profunda: “Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso” (Ex 22, 26).


Irmãos, na sociedade de hoje, muitas vezes temos a tentação de pensar que o nosso próximo é apenas aquele que é desprovido da dignidade dos bens materiais. Quem assim pensa, não está de todo errado. Porém, esquecemo-nos de que o próximo está mais presente em nossa vida do que imaginávamos. Em nosso cotidiano, principalmente nas diversas agruras que nos se apresentam dentro do relacionar-se, somos obrigados a ver no rosto de cada homem e de cada mulher, independentemente de quem quer que seja, ou mesmo se porventura alguém nos tenha feito algo que nos feriu e chateou, o rosto de Deus. “Amai o vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam” (Mt 5, 44; Lc 6,27). Estes últimos também são nossos próximos.


Retornamos à primeira pergunta da nossa reflexão: Qual a medida do amor ao outro? É o amor próprio. Logo, se eu não me amo, não serei capaz de amar ao outro, abrindo-me a ele. No entanto, o amor próprio exacerbado e centralizado em mim mesmo torna-se egoísmo, mas quando ele é dividido, partilhado, torna-se expressão de Deus e nossa. Estamos cumprindo com uma atitude divina: Deus ama! Por isso é que toda a Lei e os profetas giram em torno deste duplo-único mandamento. Assim agindo, estaremos fazendo tal qual a comunidade de Tessalônica: “Vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor [...] assim vos tornastes modelo para todos os fiéis [...] vossa fé em Deus propagou-se por toda parte” (1Ts 1, 6.7.8).


Somos cônscios de que a prática do amor é exigente, e em se falando de amar ao que nos ofende e persegue esta prática é dilacerante. Na realidade, amar é uma ascese, um exercício. Só depende de nós realizá-lo. A caridade não se constitui de uma instantaneidade, mas é galgada com pequenas práticas e renúncias de nós mesmos. São Josemaría Escrivá, aconselha-nos: “Doem-te as faltas de caridade do próximo para contigo. Quanto não hão de doer a Deus as tuas faltas de caridade – de Amor – para com ele? [...] Esforça-te, se é preciso, por perdoar sempre aos que te ofendem, desde o primeiro instante, já que, por maior que seja o prejuízo ou a ofensa que te façam, mais te tem perdoado Deus a ti” (Caminho, 441; 452). O perdão é fruto do amor, já que brota deste.


Que o Coração amante de Cristo, “fornalha ardente de caridade”, nos inspire na vivência do grande amor sincero e fiel a todos. A nós que amamos a Deus, valha-nos o que afirma o Evangelista São João em sua Epístola: “Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4,20). Que nunca possamos ver o outro como inimigo; que as divisões entre nós sejam superadas; que tratemos o outro como irmão possuindo os mesmos sentimentos do Divino Mestre, lembrando sempre que o amor fraterno deve ser para o cristão um imperativo: “Amai-vos!”