segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Dedicação da Basílica do Latrão- A Comunhão com a Igreja nos edifica como “vivas construções”

       Caros irmãos,
             
       
     


            No dia de hoje a Igreja celebra mais uma das Festas do Senhor que celebrada no Domingo ganha a hierarquia de Solenidade. O que é, então, o dia da Consagração da Basílica do Latrão? Antes do  IV século do cristianismo católico, essa era a residência da família imperial que depois foi doada e passa a se tornar oficialmente a “Igreja-Catedral” da Cidade de Roma. É a mais arcana das basílicas papais. Soma-se a ela posteriormente as outras três basílicas da Cidade Eterna. Consagrada ao Senhor, sua titular nominação é: “Arquibasílica do Santíssimo Salvador em honra dos santos João Batista e Evangelista no Latrão.”  Nesta Igreja se encontra, de fato, a “Cátedra” do Bispo de Roma e outrossim do Sumo Pontífice. Para ela se aplica o preclaro ensinamento de Santo Inácio que era o Bispo de Antioquia: “Mãe e Mestra que nos preside na caridade”. E é por esta exatidão que poderemos nortear a nossa meditação. Hoje exprimimos com mais proximidade nossa “comunhão” com a Igreja de Roma que é simbolizada pela Igreja-Catedral da nossa Diocese. Lá está também a Cátedra (cadeira) do Bispo que transmite em “comunhão’’ com o Sucessor de Pedro a solidez da fé, com o ensinamento íntegro da sã e perenal doutrina.
         
     No conjunto das leituras que ouvimos hoje prevalece em comum a palavra “Templo”. No coração da religião judaica ele se encontrava. As delícias do povo de Deus, de Israel, era o desejo de e em permanecer no Templo, porque ali estava a “habitação de Deus.’’ Os salmos processionais podem cantar isto e que definem com exatidão: “Que alegria quando ouvir que me disseram vamos à Casa do Senhor  (Sl 121), “Assim como o pardal encontrou ninho para seus filhotes, vossos altares, encontrei Deus meu e Senhor.”, “ Monte Sião esta colina encantadora lá se encontra a mansão do grande Rei!”  A correlação entre o Templo e Israel, é, indubitavelmente, marcada pela comunhão, pelo regozijar-se em cumprir com a vontade do Senhor. No Templo se ofereciam os sacrifícios, no Templo o primogênito era apresentado. Não pode ser feita uma dicotomia entre o Templo e o Povo de Deus. Lá também era venerada a Arca da Aliança onde estavam as Dez Palavras. Na história do Povo, porém, sabemos o quanto a “Casa de Deus” foi apostatada. A lamentável situação, quando, por exemplo, o tirano Nabucodonosor leva Israel como prisioneiro para Babilônia e, com suas concubinas, profanam ao único Deus e o destrói. Imaginemos, agora, aquele povo sem o Templo, sem a forma sacrossanta da permanência de Deus com ele? Expressa o salmo cento e trinta e seis tamanho descontentamento: “como haveremos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira?” 

      O povo exilado é um povo que vagueia e permanece distante do Senhor porque está sem Deus e a verdadeira comunhão que haure dessa intimidade. Ora, irmãos, esses acontecimentos do Antigo Testamento podem ser vistos, hoje, por todos nós batizados no dia da Dedicação da Igreja do Latrão, por isto, sugerimos que à medida em que os textos sagrados insistem com a palavra “Templo” pode ser conjugada a esta “comunhão”. Que pensar, então? Israel no exílio sofreu duras pelejas. Israel “trocou” o Deus valente e guerreiro, por ídolos, por muitos baal’s. Pecou contra ao Senhor cultuando um bezerro de ouro, conforme assinala o saltério: “Tem olhos, mas não podem vê! Tem nariz, mas não podem cheirar. Tem boca, mas não podem falar.”  Não se pode, neste contexto, falar de comunhão e de Templo.

    Tais certezas, por um abandono, infidelidade ao Deus Eterno, sujeitou-lhes graves consequências. Celebrando a comunhão da Igreja Católica com a Igreja de Roma que é Mãe e Cabeça da Cidade e do Mundo, devemos nos questionar: O que é comunhão? O que é Unidade? E nossa profunda veneração ao Papa?  Será que, atualmente, comunhão, unidade, o ministério petrino por parte de alguns cristãos “sem a forma” dos ensinamentos do Santo Fundador e Cabeça da Igreja não é “obscurecido” pelo que é acidental? E mais: Essas espécies de “notas” que se fundam à apostolicidade e catolicidade da Igreja de Cristo, Santíssima, não ocorre o risco de ser confundida com mensagens que não chegam ao âmago do Evangelho que deve ser a centralidade e o anúncio da Verdade que é a Pessoa de Jesus Cristo?

     
    Pensemos, agora, que a comunhão com a Santa Igreja consiste em se submeter de corpo e alma à vontade de Deus. De não trocá-lo por César e não permitir, também, que o programa governamental de César seja o que define a Igreja. Jesus, judeu piedoso, vai ao Templo por ocasião da anual celebração da páscoa judaica. É interessante notarmos este grave acento do evangelista São João porque ele é entendido quando ouvimos do próprio Jesus, quando censura os vendilhões e cambistas: “Não façais da casa de meu pai uma casa de comércio ( cf. Jo 2, 16)” Podemos notar nesta atitude enérgica de Jesus a suma importância que há no Templo, mas, agora, não mais naquele que era ornado com os esplendores da pedra, não mais naquele em que estava o propiciatório e a Arca da Aliança. Aquele se torna obsoleto para a definitiva habitação de Deus entre e conosco: o Seu Cristo. 



    Jesus-Templo o é Cabeça do Seu Corpo. Jesus-Templo é a Pedra Angular, que, segundo o Apóstolo “se ajusta toda a construção”. Neste sentido, somente, é que podemos ter e está em comunhão com a Igreja, já, que como batizados, somos “lavoura de Deus, construção de Deus.” É pois ligados a Jesus, na sua Igreja, que vamos nos tornando vivas construções, templos do Altíssimo tanto no aspecto veraz da criação como “Imagem e Semelhança de Deus” quanto no testemunho da Verdade, quando, hoje muitos insensatos nos sucumbem fazendo da Cidade do Altíssimo não o centro da Unidade, mas da dispersão de quem semeia o joio! Que esta Festa da Dedicação da Igreja do Santíssimo Salvador, nos torne construções em que somente há a “pedra” que dá o sustento e o fundamento principal da nossa fé e comunhão.



            * Foto: Marcus Tullius

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